O caminho entre a acomodação e o novo de Deus

 



Estamos iniciando uma série de ministrações que acredito Eu, poderemos sair melhores do que entramos ao ouvir as palavras de Deus para nossa vida. Ao meu ver, um dos maiores desafios de nosso tempo é a capacidade de ouvir Deus em meio ao caos, mesmo que nesse caos a gente de certa maneira se sinta confortável, pelo fato de estar bem para a gente. Às vezes até nos esquecemos que como disse Jim Stier “A vida com Jesus é difícil, interessante e maravilhosa. É um erro pensar que as dificuldades são sempre ruins, ou que prosperidade e abundância com facilidade são sempre boas” (STIER, 2012). Parece contraditório o pensamento acima, mais não, isso é uma realidade para aqueles que decidiram seguir Jesus. Meu objetivo aqui é perceber a dificuldade que temos de sair de onde estamos (à algum tempo) em direção ao novo de Deus para nossa vida. Talvez seja porque o novo nos traz insegurança, ficamos numa tensão entre querer e não querer. Dentro dessa perspectiva quero traçar um olhar na história do povo de Deus no Antigo Testamento, desde o livramento no Egito até a terra prometida, por que no meu entender, fica bem claro esse conflito . Lá vamos nós...

 

1Então o Senhor disse a Moisés: “Agora você verá o que vou fazer ao faraó. Quando ele sentir o peso de minha mão forte, deixará o povo sair. Sim, pelo peso de minha mão forte, fará o povo ir embora de sua terra!”. 2Deus também disse a Moisés: “Eu sou Javé, ‘o Senhor’. 3Apareci a Abraão, Isaque e Jacó como El-Shaddai, ‘o Deus Todo-poderoso’, mas não lhes revelei meu nome, Javé. 4Estabeleci com eles a minha aliança, mediante a qual prometi lhes dar a terra de Canaã, onde viviam como estrangeiros. 5Esteja certo de que ouvi os gemidos dos israelitas, que agora são escravos dos egípcios, e me lembrei da aliança que fiz com eles.6“Portanto, diga ao povo de Israel: ‘Eu sou o Senhor. Eu os libertarei da opressão e os livrarei da escravidão no Egito. Eu os resgatarei com meu braço poderoso e com grandes atos de julgamento. 7Eu os tomarei como meu povo e serei o seu Deus. Então vocês saberão que eu sou o Senhor, seu Deus, que os libertou da opressão no Egito. 8Eu os levarei à terra que jurei dar a Abraão, Isaque e Jacó. Eu a darei a vocês como propriedade. Eu sou o Senhor!’”.9Moisés transmitiu ao povo essa mensagem do Senhor, mas eles já não quiseram lhe dar ouvidos. Estavam desanimados demais por causa da escravidão brutal que sofriam.10Então o Senhor disse a Moisés: 11“Volte ao faraó, o rei do Egito, e diga a ele que deixe o povo de Israel sair de sua terra”. 12“Mas Senhor!”, retrucou Moisés. “Os israelitas já não querem me dar ouvidos. Como posso esperar que o faraó me escute? Tenho tanta dificuldade para falar!”13O Senhor, porém, falou com Moisés e Arão e lhes deu ordens, sobre os israelitas e sobre o faraó, rei do Egito, para tirarem o povo de Israel do Egito. Podemos perceber aqui um pouco da situação em que se encontrava o coração do povo e o desafio que existia para deixar aquela condição em que estavam vivendo (Ex 6. 1-13 nvt).

 

 

Quando se valoriza mais a escravidão do que a liberdade

 

O ser-humano é muito complexo, as circunstâncias enfrentadas por ele podem ter a capacidade de transformá-lo em alguém com o coração escravizado ou livre. E estas mesmas circunstâncias de tanto nos oprimir podem nos levar a um estado mental de privação do consolo das promessas de Deus e foi o que aconteceu com o povo escravizado (v.9). Eles não conseguiam mais dar atenção ao que Deus estava falando, simplesmente porque não acreditavam que seria possível sair daquela condição, criaram uma rejeição à palavra de Deus. Embora fosse difícil viver como escravo, havia se tornado mais difícil para o povo crer que existia um caminho para o novo de Deus, e o início dele já era difícil. Seria necessário vencer a incredulidade e alçar a visão nas promessas de Deus, mas para fazê-lo é preciso tirar o olho da situação. Muitas vezes não conseguimos levantar a cabeça para olhar à frente, para avaliar o que está nos sendo falado. Não queremos arriscar o passo para a liberdade. O convite de Jesus é sempre desafiante, é deixar a vida que estamos para viver o novo dEle para nós “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mat 11:28). Quero lembrar-lhes sobre o desafio que Jesus está fazendo para nós hoje aqui. Talvez você esteja se sentindo preso pelas circunstâncias e já não consegue ouvir a voz de Jesus Ti chamando para começar a trilhar o caminho que Ti levará ao novo de Deus. Pode ser que você ache melhor ficar do jeito que está porque será complicado sair, é mais cômodo, porém, Jesus diz que ali não há descanso, o descanso é só nEle “Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma”  (Mat 11:29). 

 

Quando os sinais de Deus nos mostram que é hora de sair

 

Temos tanta dificuldade de sair do nosso circulo em que criamos raízes que Deus em sua misericórdia após falar conosco, percebendo a nossa falta de atenção e incredulidade começa a nos avisar através das circunstâncias da nossa vida diária. O povo de Israel começou a ser mais oprimido “Ide, pois, agora, e trabalhai; palha, porém, não se vos dará; contudo dareis a mesma quantidade de tijolos” (Ex 5:18). Para receber o novo de Deus tem que ser deixado o velho, Deus já havia dito a Abraão que o tempo no Egito era determinado, a mesma coisa acontece com a nossa vida. Somos sacudidos por Deus para cairmos na real e ver que é preciso começar a preparação para o novo “chamou, pois, Moisés a todos os anciãos de Israel, e lhes disse: Escolhei e tomai cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a páscoa” (Ex 12:21), e foi assim que fizeram o povo “E foram os filhos de Israel, e fizeram isso: como o Senhor ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram” (Ex 12:28). As Dez pragas que foram lançadas sobre o Egito não eram somente para Faraó, mas também, para os Israelitas, tanto é que as primeiras atingiram também a região de Gósen (local onde ficava os hebreus), Deus estava certificando o povo de quem estava promovendo aquilo era Ele. È melhor sair vendo os sinais e tendo certeza, do que sair, fora da direção de Deus. O povo tinha que sair consciente de que era Deus quem estava fazendo aquilo. As coisas de Deus não acontecem por acaso e nem de qualquer jeito “porque Deus não é de confusão” (I Co 14:33), Ele vai certificando-nos que a nossa saída é necessária se quisermos ver o novo dEle. Quando saímos da acomodação na ordem do Senhor, precisamos lembrar que esse dia é o dia do Senhor “Esta noite se observará ao Senhor, porque nela os tirou da terra do Egito: esta é a noite do Senhor, que devem todos os filhos de Israel comemorar nas sua gerações” (Ex 12:42). É tempo de consagrar a Deus o melhor “Disse o Senhor a Moisés: Consagra-me todo primogênito; todo que abre a madre de sua mãe entre os filhos de Israel [...] (Ex 13:1). É preciso deixar que Deus guie a sua vida para que você não pense em desistir

 “Tendo Faraó deixado ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, posto que mais perto, pois disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e tornem ao Egito. Porém Deus fez o povo rodear pelo caminho do deserto perto do Mar Vermelho; e, arregimentados, subiram os filhos de Israel do Egito” (Ex 13.1).

 

Creia que Deus tem o melhor para a sua vida, mas para recebê-lo é necessário deixar o Egito e aprender a ser guiado por Deus.

 

 

 

Em meio ao caminho os testes de Fé

 

Certamente, sair de onde estamos a partir da ordem de Deus é um teste para a nossa Fé. Estar acomodado em um lugar é muito melhor e mais fácil para crer, a circunstância me transmite certa confiança, eu posso ver as possibilidades de fuga e de segurança. Agora, quando somos desafiados a sair pelo deserto da vida a caminhar na ordem de Deus, certamente é um teste à nossa Fé. Somos guiados por Deus de dia (nuvem) e de noite (coluna de fogo), vemos o mar se abrir, mas mesmo assim, existe lá dentro de nós certa insegurança, um certo sentimento de que no Egito estava melhor ...

 

 

Fez Moisés partir a Israel do Mar Vermelho, e saíram para o deserto de Sur; caminharam três dias no deserto e não acharam água. 23afinal chegaram a Mara; todavia não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas: por isso chamou-se-lhe Mara. 24E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber? 25 Então Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés nas águas, e as águas se tornaram doces. Deu-lhes ali estatutos e uma ordenação, e ali os provou. 26 e disse: Se ouvires atento a voz do Senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e deres ouvido aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma enfermidade virá sobre Ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o Senhor que te sara. 27 Então chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e se acamparam junto das águas (Ex 15: 22-27).

 

Porém, precisamos lembrar que a ordem de Deus é que o novo viria quando acabasse o deserto. O novo está do outro lado e é preciso chegar lá, para isso temos que caminhar, mesmo que pareça que não encontraremos o necessário para nossa sobrevivência “e não acharam água” (22). A impressão é que vamos morrer, como caminhar tanto com o mínimo “caminharam três dias no deserto”(22). Quando chegam em Mara que acreditam irão matar a sede, a água não é boa para beber. Qual a primeira reação? O povo murmura de quem disse que deviam sair da acomodação, Moisés. Essa é uma tendência marcante no ser-humano, a sua dificuldade de administrar a vida quando as coisas não funcionam à sua maneira, o povo disse: “Que havemos de beber?” (24). Perceba que o povo faz uma pergunta que exigia uma resposta por parte de Moisés, é como se eles falassem assim: Você nos tirou de lá e agora não temos o mínimo aqui. Sabe o que Moisés fez? Ele clamou ao Senhor (25). Quando você estiver no caminho, lembre-se que vai faltar algo importante para sua sobrevivência, mas essa falta não é para a sua morte, mas para você aprender a quem recorrer.

 

Esse caminho entre a acomodação e o novo de Deus serve para nos ensinar a dependência de Deus, é nele que vamos ver Deus transformar o amargo em doce, a tristeza em alegria, aquilo que seria para a morte em vida “e as águas se tornaram doces” (25). Deus nos leva para lugares assim, para nos mostrar que quem tem o controle da nossa vida é Ele. É ele quem nos sara “pois eu sou o Senhor que Te sara” (26), nós somos cheio de enfermidades: orgulho, cobiça, prepotência, ansiedade, depressão, inveja, estrelismo, o caminho do deserto é pra livrar a gente disso. Saiba, porém, que no caminho a gente encontra alguns oásis, para aliviar a nossa dor “Então chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e se acamparam junto das águas”(27), mas este ainda não é o novo de Deus, isso é somente para você tomar um fôlego porque tem muito caminho a seguir.  Não queira ir direto, aproveite os “postos Ipiranga” da vida que Deus providencia para você fazer uma parada, porém não esqueça que ali não é para morar, é só para tomar uma água e pegar uma sombra, porque o novo ainda está na frente.

 

Não é porque as coisas parecem que não estão dando certo que Deus não está com você, se Ele Ti mandou ir vale mais a obediência do que a satisfação pessoal. Deus Ti abençoe!

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