A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS?

 



Podemos afirmar de início que a bíblia é a “incorporação da Revelação divina”. Seus livros contém o necessário para que o homem conheça a Deus e aceite a sua revelação pessoal, Jesus Cristo.

[incorporação= ato de incluir, unir ou integrar algo a outra coisa, formando um só corpo, como misturar ingredientes na culinária, integrar um novo membro a um grupo]

Os livros da bíblia que temos hoje foram definidos dentro do canône na seguinte época:

Os do Antigo Testamento segundo a maioria dos estudiosos foram organizados por Esdras e no concílio de Jamnia[1] (90 a.d) são aceitos os 39 livros. É claro que não houve um consenso geral de todos, porém, a maioria concorda com essa afirmação.

Os do Novo Testamento parecem ter sido aceito sem uma organização formal, já circulavam na igreja como livros inspirados. No final do 2º século, todos os livros com exceção de Sete (Hebreus, II e III João, II Pedro, Judas, Tiago e o Apocalipse) eram reconhecidos como apostólicos e no final do 4º século, todos os vinte e sete livros em nosso cânon atual haviam sido reconhecidos por todas as igrejas do ocidente. A igreja grega até o ano 500 parece ter aceitado todos os livros do Novo Testamento.

A importância de se estudar a Bíblia é que “a fé cristã” é baseada num livro específico e esse livro difere de todos os outros (Sturz, 2012).

Existe uma verdade revelada nele e se faz necessário estudar a natureza particular desse texto. O único testemunho autêntico é a bíblia e o próprio Jesus insistiu na necessidade de compreendê-la

 ² Então ele lhes disse: — Como vocês são insensatos e demoram para crer em tudo o que os profetas disseram! ² Não é verdade que o Cristo tinha de sofrer e entrar na sua glória?² E, começando por Moisés e todos os Profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras (Lucas 24:25-27naa).

 Vocês examinam as Escrituras, porque julgam ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim (Jo 5.39naa).

e Hebreus vai afirmar que temos a revelação final em Jesus “Antigamente, Deus falou, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, mas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também fez o universo” (Hb 11.1naa). As escrituras testificam a respeito de Cristo, mas, ela não é o próprio Cristo, ela, portanto, não é objeto de culto, cultuamos ao Senhor Jesus Cristo. A autoridade da bíblia repousa no fato de que Deus se revela nela.

I.              A bíblia, inspirada pelo Espírito Santo

Quanto a inspiração das Escrituras, temos o testemunho da própria Escritura. A bíblia declara-se inspirada, Paulo em sua carta a Timóteo diz:

¹ Quanto a você, permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente, sabendo de quem você o aprendeu ¹ e que, desde a infância, você conhece as sagradas letras, que podem torná-lo sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. ¹ Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, ¹ a fim de que o servo de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (2 Timóteo 3:14-17naa)

em outra epístola Paulo afirma que as palavras que ele falava eram ensinadas do Espírito “Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais” (I Co 2.13). Paulo no primeiro texto está se referindo ao Antigo Testamento, uma vez que o Novo Testamento estava sendo escrito, no entanto, isso não significava dizer que o Novo Testamento não seja inspirado, o Novo Testamento também é. Paulo mesmo dizia que suas palavras eram “ensinadas do Espírito”. Afirmação que é confirmada por Pedro, quando afirma que os “sem instrução e sem firmeza deturbam” (2 Pe 3. 14-16)

“Portanto, amados, enquanto esperam estas coisas, empenhemse para que Deus os encontre imaculados, inculpáveis e em paz com ele. Tenham em mente que a paciência do nosso Senhor significa salvação, como também o nosso amado irmão Paulo escreveu a vocês, com a sabedoria que Deus lhe deu. Ele escreve da mesma forma em todas as suas cartas, falando nelas destes assuntos. As suas cartas contêm algumas coisas difíceis de entender, as quais os ignorantes e instáveis torcem, como fazem também com as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2 Pe 3.14-16 naa).

Ele está falando dos escritos de Paulo e o coloca em nível de igualdade com as Escrituras já definidas como inspiradas “como também as demais escrituras”.

A bíblia afirma ser a Palavra de Deus por cerca de 3.800 vezes, Jesus disse que “a Escritura não pode ser anulada”,

Os judeus responderam: — Não é por obra boa que queremos apedrejá-lo, e sim por causa da blasfêmia. Pois, sendo você apenas um homem, está se fazendo de Deus. Jesus disse: — Não está escrito na Lei de vocês: “Eu disse: vocês são deuses”? Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus — e a Escritura não pode falhar —, então como vocês dizem que aquele que o Pai santificou e enviou ao mundo está blasfemando, só porque declarei que sou Filho de Deus? (Jo 10. 33-36 naa),

João afirma que nela nada se pode acrescentar ou subtrair

¹ Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém acrescentar a estas coisas, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; ¹ E, se alguém tirar quaisquer das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro. ² Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus. ²¹ A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém. (Apocalipse 22:18-21 acf)

essa advertência de João foi tomada de Moisés “— Tudo o que eu lhes ordeno vocês devem observar; não acrescentem nem diminuam nada (Dt 12.32 naa). Podemos dizer que o verbo (pherómenoi/conduzidos) usado por Pedro ( 2Pe 3.14-16 /texto acima) significa que “o Espírito determinou o produto final, o texto inspirado.

Definição de Inspiração

Inspiração está relacionada ao registro da verdade. O termo é derivado de 2 Tm 3.16 “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça [...] (2 Timóteo 3:16 naa), e aplicado à escrita da bíblia. A palavra “theopneustos” literalmente significa “soprada por Deus”. Segunto Horton (2001, p.100) “O adjetivo grego (theopneustos) é claramente predicativo (Predicativo é um termo da oração que atribui uma qualidade, característica ou estado a um sujeito (predicativo do sujeito) ou a um objeto (predicativo do objeto), e é usado para identificar a fonte originária de todas as Escrituras”.

Modos de inspiração

De que a bíblia foi “inspirada” por Deus podemos estar certos, no entanto, a forma de sua inspiração não é revelada, diante disso, algumas teorias têm surgido:

Teoria da intuição: Segundo essa teoria os autores bíblicos eram gênios religiosos. É um discernimento superior das verdades religiosas e morais por parte do homem natural. A inspiração que o levaram a escrever seus livros é em essência, semelhante a de outros grandes pensadores religiosos e filosóficos. Buda, Platão... A bíblia então é uma grande literatura religiosa que expressa a experiência do povo hebreu.

Teoria do ditado: Deus de fato ditou a bíblia aos escritores. Os escritores foram meros instrumentos passivos nas mãos de Deus (como um lápis).

Teoria da dinamica: Só as ideias e os princípios registrados na bíblia são de Deus.

Teoria plenária e verbal: É plenária porque se refere a todas as partes da bíblia, verbal porque alcança as próprias palavras com que as Escrituras foram escritas no manuscrito original (autógrafos). O Espírito Santo não somente dirigia os pensamentos ou conceitos dos escritores como também supervizionava as palavras. Assim, a verbalização seria individual a cada um, levando em conta sua bagagem espiritual e cultural. A inspiração é afirmada somente a respeito dos autógrafos das escrituras.

Conceito de Inspiração

“A inspiração é o ato especial do Espírito Santo mediante o qual motivou os escritores bíblicos a escrever, orientando-os até mesmo no emprego das palavras, preservando-os de igual modo de todos os erros ou omissões” (Horton, 2001, p.106).

“Aquele inexplicável poder que o Espírito divino estendeu antigamente aos autores das sagradas escrituras, para que fossem dirigidos mesmo no emprego das palavras que usaram e para preservá-los de qualquer engano ou omissão” (L. Gaussen/Thiessen, 2001,p.66).

 

 

 

 

 

 

 

 

De acordo com as tradições preservadas na Mishná, dois conselhos de rabinos judeus foram realizados (90 e 118 a.D, respectivamente) em Jabne ou Jâmnia, não muito longe do Sul de Jope, na costa do Mediterrâneo, em que os livros do Antigo Testamento, principalmente Eclesiastes e Cânticos, foram discutidos e ratificados em sua canonicidade. O Rabino Gamaliel II provavelmente presidiu esse Concílio. Rabbi Akiba foi o chefe do conselho. O que realmente foi determinado por estes sínodos não foi preservado para nós com precisão, mas por muitas autoridades pensa-se que a grande polêmica que vinha acontecendo há mais de um século entre as escolas rivais judaica Hillel e Shammai tinha sido agora trazida a um fim , e que o cânon foi formalmente restrito aos nossos 39 livros. Talvez haja razão em dizer que em Jâmnia os limites do cânon hebraico foram oficialmente e, finalmente, determinados por autoridades judaicas. Não que a sanção oficial criou a opinião pública, mas, no entanto, a confirmou.



[1] Jâmnia nunca publicou ou promulgou uma lista de livros do cânon nem discutir o cânon como um todo. A maioria dos debates eramsobre o livro de Eclesiastes e, possivelmente, do Cântico dos Cânticos.[7] Mesmo assim, não há evidências de que as decisões desta escola foram autoritativas para a população judaica em geral.[8] Na verdade, as disputas rabínicas sobre a inspiração de certos livros (por exemplo, Eclesiástico e outros) persistiram ao longo dos primeiros três séculos cristãos. Por esta razão, o estudioso protestante F.F. Bruce sabiamente adverte contra que a assembléia de Jâmnia “fixou os limites’ do cânon do Antigo Testamento. 

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